Be Yourself

1 11 2008

Antes de qualquer coisa vejam isso:

Agora eu conto a história. Vou colar do e-mail que recebi do Thaylon, o maior colaborador de conteúdo desde blog. Ehehehe.

Aquela poderia ser mais uma manhã como outra qualquer. Eis que o sujeito desce na estação do metrô: vestindo jeans, camiseta e boné, encosta-se próximo à entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, bem na hora do rush matinal.Mesmo assim, durante os 45 minutos em que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes.

Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares. Alguns dias antes Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam a bagatela de 1000 dólares.

A experiência, gravada em vídeo (esse aí de cima) , mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, celular no ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino. A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte. A conclusão: estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto. Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo sem etiqueta de grife.

Esse é um exemplo daquelas tantas situações que acontecem em nossas vidas que são únicas, singulares e a que não damos a menor bola porque não vêm com a etiqueta de seu preço. O que tem valor real para nós, independentemente de marcas, preços e grifes? É o que o mercado diz que você deve ter, sentir, vestir ou ser?

Essa experiência mostra como, na sociedade em que vivemos, os nossos sentimentos e a nossa apreciação de beleza são manipulados pelo mercado, pela mídia e pelas instituições que detém o poder financeiro. Mostra-nos como estamos condicionados a nos mover quando estamos no meio do rebanho.

Acho que precisamos rever alguns conceitos não acham? Eu gosto do capitalismo e falo isso de peito aberto, gosto de poder escolher – ou de muitas vezes achar que posso escolher, mas essa é uma outra questão – as coisas que compro e que consumo. De qualquer maneira é assim que o mundo é, e é assim que ele vai ser por muito tempo, consumista, capitalista e segregador. Sou publicitário e sei que grande parte da culpa é nossa, no caso deste consumismo exagerado que nós – junto com as demais canais de comunicação – ajudamos a criar.

Mas eu acredito que todos nós temos a consciência do que fazemos, compramos e consumimos. Se somos levados por modinhas, tendências e status, é porque nos deixamos levar. Você pode sim fazer suas escolhas, desde que seja SUA escolhae não uma escolha “plantada” na sua cabeça. Eu sei que o Be Yourself é um grandessíssimo clichê, mas que sempre é bom lembrar. Seja você mesmo, não se deixe levar por qualquer coisa e principalmente não acredite em tudo que você vê, lê e consome em questão de comunicação.

***

1 – Achei foda.

.


Ações

Informação

4 respostas

4 11 2008
Shenyang

Muito bom post..Parabéns..Realmente as pessoas se veêm seduzidas por modas, e por tudo que este mundo consumista e capitalista aplica em sua cabeça.As vezes – na maioria das pessoas E das vezes – deixam-se levar por quanto ela está gastando ou perdendo, que com o quanto de felicidade aquilo possa trazer.:)

12 11 2008
Luciano A.Santos

O experimento do The Washington Post é interessante mas seu resultado é mais que óbvio. Quantos cidadãos que usam o metrô na cidade de Nova York gosta de música clássica e pagaria US$ 1000 para ver um violinista? Quantos dos cidadãos que pagaram US$ 1000 para ver Joshua Bell tocando no Symphony Hall estavam no metrô, ou, ao menos, usam o metrô? Que colocassem a Fergie ou o 50 Cent pra cantar no metrô e estaria tudo certo, seria feita uma zorra só. Tentando ilustrar melhor o que quero dizer, a Monalisa no Museu do Louvre vale mais de US$ 100 milhões, na parede da minha casa nem tanto. Já minha foto, na parede da sala de minha mãe tem um valor inestimado (para minha mãe), agora, no Louvre…Tudo depende de contexto, o sabor da comida é melhor quando estamos com fome, a água é mais saborosa (apesar de insípida:) proporcionalmente à intensidade de nossa sede. Gostei do site, ótimo post.

8 12 2008
modinhas.net » Blog Archive » Be Yourself

[...] hora do rush matinal.Mesmo assim, durante os 45 minutos em que tocou, foi pr Veja o post completo clicando aqui. Post indexado de: [...]

18 04 2009
Thata

É, também achei foda.

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