As memórias do Albert em: Super-Poderes e Super –Heróis

26 08 2008

Chega uma fase na vida da gente, que queremos porque queremos ter Super-Poderes, voar mundo afora, vestir capas coloridas, mandar raios laser e sopros de gelo. Ter 10 anos é viajar na própria imaginação. Eu me lembro como se fosse ontem do dia que eu sonhei ter sobre voado a cidade, era tão real, cheguei a acreditar em tudo aquilo – e acreditei mesmo -. Lembro ate hoje do meu tio zombando de mim dizendo que eu tinha sonhado, mas ele estava enganado, foi bastante real pra mim, minha realidade tem a forma que eu quiser, eu só tinha dez anos, ele não podia ser tão adulto comigo.

Por falar no meu tio, lembro bem da minha mãe falando que ele tinha uma Super-Poder também, o de afastar os amigos, e olha que isso pra mim é um Super-Poder super poderoso, eu mesmo não consigo ficar afastado dos meus amigos nem um dia sequer, se estivéssemos num gibi ele serio uma dos super poderosos mais temidos.

Tem também o meu avô, ele consegue ficar um dia todo sentado na praça vendo o movimento das pessoas que perambulam de lá pra cá, de cá pra lá, acho também que ele é a pessoa mais velha que eu conheço que ainda resmunga tanto.

Há ainda o famigerado açougueiro, dizem por ai que ele é o homem mais forte da cidade, que ele teria força e valentia fora do comum, dizem que ele matou um touro com as próprias mãos, dizem também que um dia ele estava com fome e comeu uma ovelha inteirinha, viva.

Minha avó por sua vez tem o poder de reunir todos da família – ate os meus tios e primos chatos -, além de fazer doce de mamão como ninguém.

Eu tinha ainda algumas vizinhas que viviam na porta de suas respectivas casas fofocando, tinham duas que eu acho que nasceram falando, e desde então nunca mais fecharam a boca…

Minha mãe também merecia uma capa, roupa colorida e tudo mais, ela tinha o incrível poder de me acalmar, de fazer as torradas do café da tarde mais gostosas do mundo, além de ter o poder assustador de fazer qualquer um dormir enquanto ela fazia cafuné.

A Rosinha – garota de dez anos mais linda do mundo – tinha também um poder inexplicável, ela hipnotizava qualquer um que olhasse pra ela por mais de um segundo, inclusive eu.

Quando eu tinha dez anos eu tinha muito mais que poderes, eu tinha um brilho no olhar, tinha a inocência de criança do interior, uma imaginação que era capaz de me colocar a frente de leões, dragões do mal, de me levar a outros planetas e muito mais, com o tempo eu fui perdendo um pouco disso, do encanto, da magia, da inocência, mas de vez enquando, eu fecho os olhos eu ainda sobrevôo lugares cidade a fora, e lá do alto, bem la do alto – você pode nem acreditar – a visão é tão linda, é inexplicável…





Tuko um Indiano no Brasil

12 08 2008

Meu nome é Tuko, Tuko Archmed, eu sou Indiano, e definitivamente não gosto de felicidade, eu nunca sorrio, nem em filme de comédia, nem vendo política ou fazendo sexo, se bem que, fazer sexo com minha esposa é muito engraçado, ela faz uns barulhos estranhos, e vive me chamando de outros nomes, diz que é pra apimentar a relação.

Minha esposa é do tipo, gordinha, sabe, se ela ficar de quatro na cama a barriga dela bate no lençol, Minha esposa chama-se Linda, e ela se parece uma obra de arte, ela parece um quadro de Picasso, e os vizinhos ainda me perguntam por que ela vive de burca, brasileiro é sacana, gosta de ver a desgraça dos outros…

Eu sou indiano (acho que já disse isso), e minha família tem certa tradição militar, desde o meu tataravô todos os homens da família foram bravos combatentes, e é impressionante como sempre acontece a mesma coisa, todos morrem logo na primeira missão, sabe como é né, uma família de homens bomba.

Ao invés de ter minhas 72 virgens (escrevendo-me cartinhas com corações, chamando-me de miguxo, perfis no “Orkut” cheios de corações e entrando nas comunidades do “Nxzero”, “Eu amo mulçumano de boné”), minha família preferiu arranjar um casamento, e me mandar para Brasil.

Eu acabo de chegar e vou narrar muitas das minhas experiências, mas depois de terminar uma prece a todos os donos de frigorífico.